Luiz Carlos Souza / Arquivo NSC

O cãozinho que viveu dois anos na porta de um hospital à espera do dono que morreu, foi atropelado na manhã desta terça-feira, 15, e não resistiu aos ferimentos. Negão Cardoso, como foi batizado, morava no pátio do Hospital Ruth Cardoso, em Balneário Camboriú, desde que seu companheiro, um catador de papelão, fora atropelado nas ruas da cidade, em 2016.

Quando os socorristas chegaram ao local para socorrer o dono, Negão foi correndo ao lado do veículo até o hospital. Ficou sentado na entrada do pronto-socorro, certo de que o amigo estava lá dentro. O catador de papelão não resistiu, e não houve despedida.

As enfermeiras se arrependem de não terem permitido que o cão visse o dono morto. Pois o negão ficou durante anos na esperança de reencontrar seu amigo. A esposa do do dono de Negão tentou levá-lo para casa, porém o cachorro continuou fugindo para o hospital, atrás do dono. Foi então ONG Viva Bicho soube do caso e amparou o animal.  “Estive no hospital e soube, aí levamos casinha, coberta, ração. O hospital permitiu. Um vez por semana, levávamos para banho. Todo mundo conhecia ele” explicou Beatriz Machado, fundadora da ONG Viva Bicho, que prestava assistência ao cãozinho.

Põe lealdade nisso. Agora eles vão se encontrar.

Desde o acidente com o dono, o cão vivia no grande pátio do hospital, e era celebrado por profissionais de saúde do local. Uma vez, tentaram adotá-lo, mas o animal acabou fechado em uma garagem e fugiu de volta para o Ruth Cardoso.

Segundo Beatriz, Negão estava no estacionamento quando foi atingido por um motorista. “Me ligaram cedo que ele tinha sido atropelado no hospital. Saí correndo para socorrer e levar ao veterinário. No caminho, me avisaram que ele tinha morrido. Ai, é um desespero. Ele era muito lindo, era uma história muito triste que tinha por trás da dele” destacou Beatriz, emocionada. “Põe lealdade nisso. Agora eles vão se encontrar.”

Estátua de bronze de Hachiko que foi erguida próxima à estação de Shibuya

Uma história parecida com a de Hachi, que inspirou o filme ‘Sempre ao seu lado’ de 2009, que narra fidelidade de uma linda amizade entre o cão Hachiko e seu tutor. O dono do Hachi, faleceu e seu fiel companheiro o esperou na estação de trem durante quase 10 anos, sim Hachiko também morreu em frente ao último lugar onde viu seu dono. Esse caso aconteceu em Toquio, no Japão, na estação estação de Shibuya, e o cão recebeu uma estátua de bronze em homenagem ao ato de fidelidade. Será que teremos uma estátua do Negão aqui em Balneário Camboriú também?

 


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