Atlas da violência mostra Camboriú sob criminalidade endêmica

Comandante geral da PM firmou o compromisso de, já em outubro, enviar uma nova viatura para Camboriú, assim como mais policiamento no mês de dezembro

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Divulgação

Na quarta-feira (13), doze dos quinze vereadores de Camboriú uniram-se em Florianópolis para reivindicar mais atenção do Governo Estadual. Na visita, conquistaram mais policiamento e uma nova viatura para a cidade.

O objetivo era participar da sessão da Assembléia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) e apresentar a todos os Deputados Estaduais as demandas, porém, a sessão foi cancelada e os vereadores dedicaram-se a visitar os gabinetes dos parlamentares e solicitar apoio a causa.

Com camisetas afirmando que Camboriú merece respeito, os vereadores falaram com os Deputados Mauricio Eskudlark, Serafim Venzon, Ismael dos Santos, Darci de Matos, Jean Kuhlmann e com a Deputada Dirce Heiderscheidt. Na oportunidade os vereadores defenderam que Camboriú é a 15ª cidade em população do estado e precisa de atenção. “A Força Tarefa que aconteceu no último mês trouxe mais policiamento para a cidade, mas com o fim desta operação, acabou também a nossa segurança”, desabafou o vereador Márcio Pereira (PV).

O Deputado Mauricio Eskudlark afirmou que existem novos soldados se formando e ainda não foram definidas as cidades que receberão o reforço policial. “Nada esta decidido quanto a isso, por isso parabenizo está pressão que vocês estão fazendo, para que o estado perceba que Camboriú está precisando deste apoio”, comentou.

Em visita ao gabinete do Deputado Darci de Matos, os vereadores comentaram que gostariam de receber a presença do secretário de Estado de Segurança Pública, César Augusto Grubba para uma audiência com toda a sociedade civil para debater a pauta e tomar as devidas providências em favor da segurança de Camboriú.

Como forma de ajudar o município, o Deputado levou os vereadores para uma reunião com o Coronel Paulo Henrique Hemm, Comandante geral da Policia Militar de Santa Catarina. Na oportunidade, o Coronel firmou o compromisso de já em outubro enviar uma nova viatura para Camboriú, assim como mais policiamento no mês de dezembro. “Estou imensamente feliz, um sentimento de dever cumprido. Batalhamos e conseguimos mais segurança aos camboriuenses”, comemorou a vereadora Inalda do Carmo.

Além disso, os vereadores terão espaço para falar sobre as demandas do município, na sessão plenária da Alesc, na próxima terça-feira (19).

 

ATLAS DA VIOLÊNCIA MOSTRA CAMBORIÚ SOB CRIMINALIDADE ENDÊMICA

O Atlas da Violência 2017, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), com dados de 2015, divulgado recentemente, mostra Camboriú sob criminalidade endêmica.

São consideradas sob criminalidade endêmica as cidades ou regiões onde a taxa de homicídios por 100.000 habitantes seja igual ou superior a 10. Camboriú, com uma população aproximada de 80 mil habitantes, apresentou a alarmante taxa de homicídios de 39,5, colocando a cidade no topo da lista das cidades mais violentas de Santa Catarina e entre as principais do Brasil.

Essa onda de violência pode estar relacionada à migração de gangues provenientes de estados com elevados índices de criminalidade, como Rio de Janeiro e São Paulo. A avaliação é do professor de sociologia política Erni Seibel, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Segundo ele, que coordena o Núcleo Interdisciplinar de Estudos em Políticas Públicas da universidade, a política de combate ao crime nesses locais, incluindo a instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Rio e uma ação mais incisiva da polícia em São Paulo, podem ter contribuído para o movimento.

“Essas gangues vêm para o Sul, principalmente Santa Catarina e Rio Grande do Sul, para se esconder e fazer conexão com criminosos locais. Os padrões dos ataques em Santa Catarina, que incendeiam o cotidiano urbano, representam um novo formato de violência, como o que foi observado em São Paulo. Eles obrigam o Estado a reconhecer a atuação do crime organizado”, avaliou.

Seibel citou um estudo feito em 2015 pela UFSC, no distrito de Monte Alegre, em Camboriú, com alto índice de criminalidade, que mostrou a existência da migração de criminosos para a Região Sul. Segundo ele, os pesquisadores perceberam que o distrito é um “viveiro de uma criminalidade que não é nativa”.

“O distrito aloja criminosos de outros lugares, principalmente por fatores geográficos. Repleto de morros, há facilidade para que seja usado como esconderijo e também como rota de fuga, por estar próximo à BR-101”, disse, ressaltando que não se pode dizer que os ataques dos últimos dias tenham sido praticados pelos mesmos criminosos que vivem nessa região, situação que ficou evidenciada nos recentes assassinatos a Policiais Militares e civis que alarmaram a população de Camboriú e região.

Camboriú já é a 15ª cidade do Estado de Santa Catarina em população e a cidade que recebe o menor percentual de investimentos do Estado dentre as 15 maiores, o que agrava ainda mais a situação da segurança pública.

Por isso, na manhã dessa quarta-feira (13), os Vereadores de Camboriú realizaram um protesto na Assembleia Legislativa, cobrando do Governo do Estado o aumento dos investimentos em segurança na região: “O trabalho realizado pelo efetivo da PM de Camboriú é exemplar, mas a cidade cresceu muito nos últimos anos, recebendo grande parte da mão de obra de Balneário Camboriú. Esse aumento de população trouxe também o aumento expressivo de criminalidade e os investimentos em segurança ficaram parados!!! Precisamos de mais efetivo e maiores investimentos tanto na Polícia Militar quanto na Polícia Civil da região para controlarmos isso, antes que seja tarde demais”, ressaltou o Vereador Marcio Pereira.

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