Camboriú é referência na prevenção de doenças e surtos de contaminação em eventos de massa

Protocolo preventivo contra endemias e problemas sanitários foi produzido para garantir a saúde pública durante congresso dos Gideões

Publicado em

- Publicidade -

VEJA TAMBÉM

Arquivo

Muito antes de os visitantes do 35º Congresso dos Gideões chegarem a Camboriú, uma equipe de vigilantes em saúde do Município, Estado e Governo Federal já trabalhava para preparar a cidade para o evento. Pela primeira vez em Santa Catarina, um evento de massa contou com protocolo epidemiológico e sanitário desse porte.

Além de prevenir endemias e surtos de contaminação, o grupo também coletou informações para um estudo, que foi apresentado na tarde da quarta-feira, dia 21, pelo epidemiologista do Ministério da Saúde Eduardo Saad, na sede da Secretaria de Saúde do Município.

Camboriú é a primeira cidade de Santa Catarina a ser contemplada com estudo de vigilância em saúde para evento de massa e os resultados obtidos aqui serão sugeridos como referência para os eventos de outras cidades do Estado a partir de agora”, explica o secretário de Saúde, Ronnye Peterson dos Santos. A apresentação dos resultados contou com a presença de representantes da Secretaria Estadual de Saúde, por meio das diretorias de Vigilância Epidemiológica e de Vigilância Sanitária do Estado; membros da Gerência Regional de Saúde de Itajaí; e representante do Ministério da Saúde, de Brasília.

A diretora da Vigilância em Saúde de Camboriú, Josiane Farias, destaca a importância do trabalho preventivo que foi realizado para receber o número estimado de 150 mil pessoas – duas vezes a população da cidade. “Montamos um Centro Integrado de Operações Conjuntas da Saúde (CIOCS) na Secretaria. Nos dias do evento, o trabalho da equipe foi integral”, conta.

O CIOCS agrupou os epidemiologistas e vigilância sanitária dos governos estadual, municipal e federal. Além de definir ações para preparar a cidade para o congresso, o núcleo também ficou responsável por monitorar duas vezes ao dia cada uma das unidades de saúde de Camboriú, bem como das cidades do entorno. “Essa equipe orientou os trabalhos de todos os servidores e coletou informações como o número e os horários de atendimentos, as necessidades e sintomas dos pacientes, sua faixa etária, se o paciente estava participando do congresso, se tinha vindo de outra cidade e do que tinha se alimentado”, esclarece Josiane.

Com essas informações, foi possível avaliar não só o impacto do evento na rede municipal de Saúde, mas também isolar casos de contaminação e descobrir sua origem. Esses dados foram comparados com os de outros eventos de massa, como os obtidos na Jornada Mundial da Saúde. Quem fez a análise foi Eduardo Saad, representante do Ministério da Saúde que veio de Brasília para realizar o trabalho em Camboriú e que atuou em grandes eventos, como as Olimpíadas.

Foi identificado um foco de transtorno alimentar quando cinco pacientes procuraram a mesma unidade de saúde com sintomas semelhantes. Seguindo o protocolo determinado pelo CIOCS, o médico responsável pelo atendimento entrou com contato com a Vigilância em Saúde. No mesmo dia foi possível identificar a origem do problema: “Todos os doentes pertenciam à mesma caravana e diagnosticamos que a pessoa responsável por cozinhar para eles não fez uso das práticas recomendadas para manipulação de alimentos. Outras seis pessoas da caravana também apresentaram os sintomas depois”, conta Josiane Farias. Também ficou clara para a equipe a necessidade de destinar uma área específica para alimentação no próximo congresso.

Vigilância ativa para prevenir e monitorar

A equipe de trabalho do CIOCS definiu estratégias e ações para antes, durante e depois do evento – que começou no dia 22 de abril. Uma das primeiras ações foi a oferta gratuita de cursos de manipulação de alimentos. Também foram realizados mutirões de combate ao Aedes Aegypti e divulgação de informações na mídia, principalmente os canais específicos do congresso Gideões, para alertar aos visitantes que deveriam estar com vacinação em dia quando chegassem à cidade.

Durante evento, a fiscalização exigiu curso de manipulação e carteira de saúde para os comerciantes de alimentos, além de realizar fiscalização contínua. Também foram monitoradas as unidades de saúde da cidade e do entorno, verificadas denúncias e rastreadas as origens de ocorrências em saúde identificadas nas unidades de atendimento da cidade. Por fim, encerrado o congresso, a equipe do CIOCS ficou responsável por analisar os dados e resultados obtidos, definindo o protocolo que a partir de agora poderá ser usado como referência para outros eventos de massa em Santa Catarina.

O Ministério da Saúde elogiou o trabalho realizado pela Vigilância em Saúde de Camboriú, destacando o ineditismo da iniciativa. Segundo o epidemiologista do MS, Eduardo Saad, foi a primeira vez que um município tomou a dianteira na elaboração de um protocolo desse tipo para evento de massa – o que representa um grande avanço para a Vigilância em Saúde da cidade.

Entre as ocorrências registradas durante o congresso dos Gideões, estão: a interdição de um ônibus carregado com fornecimento de cocada em más condições de armazenamento; o fechamento de um local improvisado para manipulação e comércio de alimentos; e o surto de transtorno alimentar em uma caravana, resultando em 11 visitantes doentes.

✉ NEWSLETTER

Receba notícias de BC, Camboriú e Itajaí todos os dias em seu e-mail.

Confirme seu cadastro na próxima tela e ative o cadastro em seu e-mail.
- Publicidade -

VEJA TAMBÉM

- Publicidade -